Dia 17 de 33 – As práticas da verdadeira devoção à Santíssima Virgem

Ao despertarmos para mais um dia da nossa preparação espiritual, entreguemos a Deus os primeiros pensamentos e consagremos este dia ao Imaculado Coração de Maria. Silenciemos a alma, respiremos profundamente e supliquemos, com fé, a presença do Espírito Santo.

Hoje meditamos sobre as práticas da verdadeira devoção à Santíssima Virgem, tanto interiores quanto exteriores. O Tratado nos mostra que não basta termos gestos ou aparências de piedade: é preciso que tudo brote do coração, do amor por Deus e por Maria.

Santa Teresa de Calcutá nos recorda que “sem a graça de Deus, é impossível servir com amor”. Muitas vezes fazemos orações, rezamos o Rosário, participamos de grupos e movimentos… mas sem uma verdadeira caridade interior, sem aquele desejo puro de agradar a Deus.

É justamente esse amor que transforma uma prática comum em uma oferta viva e agradável. É isso que diferencia a devoção verdadeira da devoção vazia. O verdadeiro devoto vive por Maria, mas não para si: vive por Maria para Jesus, e deseja agradar a Deus em todas as ações.

👉 Peçamos hoje a graça de viver cada prática espiritual com reta intenção e com amor verdadeiro. Que sejamos transformados por dentro, e que as nossas ações, pequenas ou grandes, sejam um reflexo desse amor interior.

Agora, com reverência e fé, iniciemos nossas orações:
📿 Ave Maris StellaVinde, Espírito Criador e a Ladainha do Espírito Santo

🙏 Antes de iniciar a leitura espiritual, pare por um instante e faça as orações com atenção e amor, pedindo com sinceridade à luz do Espírito Santo e ao auxílio da Santíssima Virgem.

📌 Sem oração, não há fruto. Sem humildade, não há transformação.

Ave Estrela do Mar (Ave Maris Stella)

Ave, do mar Estrela,
bendita Mãe de Deus,
fecunda e sempre Virgem,
portal feliz dos céus.

Ouvindo aquele Ave
do anjo Gabriel,
mudando de Eva o nome,
trazei-nos paz do céu.

Ao cego iluminai,
ao réu livrai também;
de todo mal guardai-nos
e dai-nos todo o bem.

Mostrai ser nossa Mãe,
levando a nossa voz
a Quem, por nós nascido,
dignou-se vir de vós.

Suave mais que todas,
ó Virgem sem igual,
fazei-nos mansos, puros,
guardai-nos contra o mal.

Oh! dai-nos vida pura,
guiai-nos para a luz,
e um dia, ao vosso lado,
possamos ver Jesus.

Louvor a Deus, o Pai,
e ao Filho, Sumo Bem,
com seu Divino Espírito
agora e sempre. Amém.


Vinde, Espírito Criador (Veni Creator Spiritus)


Ó, vinde, Espírito Criador,
as nossas almas visitai
e enchei os nossos corações
com vossos dons celestiais.

 Vós sois chamado o Intercessor
do Deus excelso o dom sem par,
a fonte viva, o fogo, o amor,
a unção divina e salutar.

Sois doador dos sete dons
e sois poder na mão do Pai,
por Ele prometido a nós,
por nós seus feitos proclamai.

A nossa mente iluminai,
os corações enchei de amor,
nossa fraqueza encorajai,
qual força eterna e protetor.

Nosso inimigo repeli,
e concedei-nos vossa paz;
se pela graça nos guiais,
o mal deixamos para trás.

Ao Pai e ao Filho Salvador
por vós possamos conhecer
que procedeis do seu amor
fazei-nos sempre firmes crer.
Amém  

Ladainha do Espírito Santo

Senhor, tende piedade de nós.
Jesus Cristo, tende piedade de nós.
Senhor, tende piedade de nós.

Divino Espírito Santo, ouvi-nos.
Espírito Paráclito, atendei-nos.

Deus Pai dos céus, tende piedade de nós.
Deus Filho, Redentor do mundo, tende piedade de nós.
Deus Espírito Santo, tende piedade de nós.
Santíssima Trindade, que sois um só Deus, tende piedade de nós.

Espírito da verdade, tende piedade de nós.
Espírito da sabedoria, tende piedade de nós.
Espírito da inteligência, tende piedade de nós.
Espírito da fortaleza, tende piedade de nós.
Espírito da piedade, tende piedade de nós.
Espírito do bom conselho, tende piedade de nós.
Espírito da ciência, tende piedade de nós.
Espírito do santo temor, tende piedade de nós.
Espírito da caridade, tende piedade de nós.
Espírito da alegria, tende piedade de nós.
Espírito da paz, tende piedade de nós.
Espírito das virtudes, tende piedade de nós.
Espírito de toda graça, tende piedade de nós.
Espírito da adoção dos filhos de Deus, tende piedade de nós.
Purificador das nossas almas, tende piedade de nós.
Santificador e guia da Igreja Católica, tende piedade de nós.
Distribuidor dos dons celestes, tende piedade de nós.
Conhecedor dos pensamentos e das intenções do coração, tende piedade de nós.
Doçura dos que começam a vos servir, tende piedade de nós.
Coroa dos perfeitos, tende piedade de nós.
Alegria dos anjos, tende piedade de nós.
Luz dos patriarcas, tende piedade de nós.
Inspiração dos profetas, tende piedade de nós.
Palavra e sabedoria dos apóstolos, tende piedade de nós.
Vitória dos mártires, tende piedade de nós.
Ciência dos confessores, tende piedade de nós.
Pureza das virgens, tende piedade de nós.
Unção de todos os santos, tende piedade de nós.

Sede-nos propício, perdoai-nos, Senhor.
Sede-nos propício, atendei-nos, Senhor.

De todo o pecado, livrai-nos, Senhor.
De todas as tentações e ciladas do demônio, livrai-nos, Senhor.
De toda a presunção e desesperação, livrai-nos, Senhor.
Do ataque à verdade conhecida, livrai-nos, Senhor.
Da inveja da graça fraterna, livrai-nos, Senhor.
De toda a obstinação e impenitência, livrai-nos, Senhor.
De toda a negligência e tepor do espírito, livrai-nos, Senhor.
De toda a impureza da mente e do corpo, livrai-nos, Senhor.
De todas as heresias e erros, livrai-nos, Senhor.
De todo o mau espírito, livrai-nos, Senhor.
Da morte má e eterna, livrai-nos, Senhor.

Pela vossa eterna procedência do Pai e do Filho, livrai-nos, Senhor.
Pela milagrosa conceição do Filho de Deus, livrai-nos, Senhor.
Pela vossa descida sobre Jesus Cristo batizado, livrai-nos, Senhor.
Pela vossa santa aparição na transfiguração do Senhor, livrai-nos, Senhor.
Pela vossa vinda sobre os discípulos do Senhor, livrai-nos, Senhor.
No dia do juízo, livrai-nos, Senhor.

Ainda que pecadores, nós vos rogamos, ouvi-nos.
Para que nos perdoeis, nós vos rogamos, ouvi-nos.
Para que vos digneis vivificar e santificar todos os membros da Igreja, nós vos rogamos, ouvi-nos.
Para que vos digneis conceder-nos o dom da verdadeira piedade, devoção e oração, nós vos rogamos, ouvi-nos.
Para que vos digneis inspirar-nos sinceros afetos de misericórdia e de caridade, nós vos rogamos, ouvi-nos.
Para que vos digneis criar em nós um espírito novo e um coração puro, nós vos rogamos, ouvi-nos.
Para que vos digneis conceder-nos verdadeira paz e tranquilidade no coração, nós vos rogamos, ouvi-nos.
Para que vos digneis fazer-nos dignos e fortes, para suportar as perseguições pela justiça, nós vos rogamos, ouvi-nos.
Para que vos digneis confirmar-nos em vossa graça, nós vos rogamos, ouvi-nos.
Para que vos digneis receber-nos no número dos vossos eleitos, nós vos rogamos, ouvi-nos.
Para que vos digneis ouvir-nos, nós vos rogamos, ouvi-nos.
Espírito de Deus, nós vos rogamos, ouvi-nos.

Cordeiro de Deus que tirais os pecados do mundo, enviai-nos o Espírito Santo.
Cordeiro de Deus que tirais os pecados do mundo, mandai-nos o Espírito prometido do Pai.
Cordeiro de Deus que tirais os pecados do mundo, dai-nos o Espírito bom.

Espírito Santo, ouvi-nos.
Espírito Consolador, atendei-nos.

V. Enviai, Senhor, o vosso Espírito, e tudo será criado,
R. E renovareis a face da terra.

Oremos: Deus, que instruístes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas segundo o mesmo Espírito e gozemos sempre da sua consolação. Por Cristo, nosso SenhorAmém.

Dia 17 – Leitura do Tratado: Parágrafos 115 a 119

§ I. As práticas comuns.

115. Há muitas práticas interiores da verdadeira devoção à SS. Virgem. As principais são, abreviadamente, as seguintes:
Honrá-la, como a digna Mãe de Deus, com o culto de hiperdulia, isto é, estimá-la e honrá-la sobre todos os outros santos, como a obra-prima da graça e a primeira depois de Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem.
Meditar suas virtudes, seus privilégios e seus atos.
Contemplar suas grandezas.
Fazer-lhe atos de amor, de louvor e reconhecimento.
Invocá-la cordialmente.
Oferecer-se e unir-se a ela.
Em todas as ações ter a intenção de agradar-lhe.
Começar, continuar e acabar todas as ações por ela, nela, com ela e para ela, a fim de fazê-las por Jesus Cristo, em Jesus Cristo, com Jesus Cristo e para Jesus Cristo, nosso último fim. Mais adiante explicaremos esta última prática (Cf. cap. VIII, art. II).

116. A verdadeira devoção à Santíssima Virgem tem também muitas práticas exteriores, das quais as principais são:

1º) Alistar-se em suas confrarias e ingressar em suas congregações;

2º) Ingressar numa das ordens instituídas em sua honra;

3º)
Publicar seus louvores;

4º) Dar esmolas, jejuar e mortificar-se o espírito e o corpo em sua honra;

5º) Trazer consigo suas insígnias, como o santo Rosário ou o terço, o escapulário ou a cadeiazinha;

6º) Recitar com devoção, atenção e modéstia ou o santo rosário, composto de quinze dezenas de Ave-Marias, em honra dos quinze mistérios gloriosos, gozosos e dolorosos de Jesus Cristo, ou o terço de cinco dezenas, contemplando os cinco mistérios gozosos: a anunciação, a visitação, a natividade de Jesus Cristo, a purificação e o encontro de Jesus no templo; os cinco mistérios dolorosos: a agonia de Jesus no Jardim das Oliveiras, sua flagelação, a coroação de espinhos, Jesus levando a cruz, e a crucificação; os cinco mistérios gloriosos: a ressurreição de Jesus, sua ascensão, a descida do Espírito Santo, a assunção da Santíssima Virgem em corpo e alma ao céu, e sua coroação pelas três pessoas da Santíssima Trindade.

Pode-se recitar também uma coroa de seis ou sete dezenas em honra dos anos que se crê a Santíssima Virgem ter vivido na terra; ou a coroinha da Santíssima Virgem, composta de três Pai-nosso e doze Ave-Marias, em honra de sua coroa de doze estrelas ou privilégios; outrossim o ofício da Santíssima Virgem universalmente conhecido e recitado pela Igreja; o pequeno saltério da Santíssima Virgem que São Boaventura compôs em sua honra, tão terno e devoto que não se pode recitá-lo sem enternecimento; quatorze Pai-nossos e Ave-Marias em honra de suas quatorze alegrias; quaisquer outras orações, enfim, hinos e cânticos da Igreja, como o “Salve Rainha”, o “Alma”, o “Ave Regina caelorum”, ou o “Regina caeli”; conforme os diferentes tempos; ou o “Ave, Maris Stella”, “O gloriosa Domina”, etc., ou o “Magnificat”, e outras orações e hinos de que andam cheios os devocionários;

7º) Cantar e fazer cantar em sua honra cânticos espirituais;

8º) Fazer-lhe um certo número de genuflexões ou reverências, dizendo-lhe, por exemplo, todas as manhãs, sessenta ou cem vezes: “Ave, Maria, Virgo Fidelis”, para, por meio dela, obter de Deus a fidelidade às graças durante o dia; e à noite: “Ave, Maria, Mater misericordiae”, para, por intermédio dela, alcançar de Deus o perdão dos pecados do dia;

9º) Zelar por suas confrarias, ornar seus altares, coroar e enfeitar suas imagens;

10º) Carregar ou fazer que se conduza sua imagem nas procissões, e trazê-la consigo como uma arma eficaz contra o demônio;

11º) Mandar fazer imagens que a representem, ou seu nome, e colocá-los nas igrejas, nas casas, nos pórticos ou à entrada das cidades, igrejas e casas;

12º) Consagrar-se a ela de uma maneira especial e solene.

117. Há uma quantidade de outras práticas da verdadeira devoção à Santíssima Virgem, e o Espírito Santo tem inspirado às almas de escol, e que são muito santificantes. Pode-se encontrá-las mais extensamente no livro Paraíso aberto à Filha do Padre Paulo Barry, da Companhia de Jesus. Ali o autor coligiu grande número de devoções praticadas pelos santos em honra da Santíssima Virgem, devoções maravilhosamente úteis para santificar as almas, desde que sejam praticadas com devoem, isto é:
1º) Com o único intento de agradar só a Deus, de unir-se a Jesus Cristo, seu divino modelo, e de edificar o próximo;

2º) Com atenção, sem distrações voluntárias;

3º) Com devoção, sem precipitação e não por negligência;

4º) Com modéstia e com postura respeitosa e edificante.

§ II. A prática perfeita.

118. Depois de ler quase todos os livros que tratam da devoção à Santíssima Virgem e de conversar com as pessoas mais santas e instruídas destes últimos tempos, declaro firmemente que não encontrei nem aprendi outra prática de devoção à Santíssima Virgem semelhante a esta que vou iniciar, que exija de uma alma mais sacrifícios a Deus, que a despoje mais completamente de seu amor-próprio, que a conserve com mais fidelidade na graça e a graça nela, que a una com mais perfeição e facilidade a Jesus Cristo, e, afinal, que seja mais gloriosa para Deus, santificante para a alma e útil ao próximo.

119. O essencial desta devoção consiste no interior que ela deve formar, e, por este motivo, não será compreendida igualmente por todo o mundo. Alguns hão de deter-se no que ela tem de exterior, e não passarão avante, e estes serão o maior número; outros, em número reduzido, entrarão em seu interior, mas subirão apenas um degrau. Quem alcançará o segundo? Quem se elevará até ao terceiro? Quem, finalmente, se identificará nesta devoção? Aquele somente a quem o Espírito de Jesus Cristo revelar este segredo. Ele mesmo conduzirá a esse estado a alma fiel, fazendo-a progredir de virtude em virtude, de graça em graça e de luz em luz, para que ela chegue a transformar-se em Jesus Cristo, e atinja a plenitude de sua idade sobre a terra e de sua glória no céu.

📍 Conclusão do Dia 17 – As práticas da verdadeira devoção à Santíssima Virgem

Ao encerrarmos a meditação de hoje, sejamos lembrados de que a verdadeira devoção não busca aplausos nem reconhecimento. Como nos ensina o Evangelho: “Quando deres esmola, não saiba a tua mão esquerda o que faz a tua direita, para que a tua esmola fique em segredo; e teu Pai, que vê o que está oculto, te recompensará” (Mt 6,3-4).

O segredo da santidade está muitas vezes no silêncio – aquele silêncio fecundo que oferece, ama e serve sem alarde. Quantas vezes somos tentados a contar o bem que fizemos, esperando elogios? Mas os santos, como São Luís, Santa Teresinha, São Bento, São Martinho de Lima e tantos outros, viveram escondidos em Deus, com os olhos fixos apenas em agradar ao Senhor.

Santa Teresinha dizia que queria ser "um brinquedo nas mãos do Menino Jesus" – e como criança pequena, fazia tudo com amor e sem buscar ser notada. A alma verdadeiramente devota faz o bem e se esquece, porque sabe que não está ali para si mesma, mas para glorificar a Deus por meio da Mãe Santíssima.

👉 Lutemos contra a vaidade que nos sopra no ouvido quando fazemos o bem. Rejeitemos a tentação de nos vangloriarmos das nossas práticas espirituais. Que o nosso coração permaneça humilde e silencioso, oferecendo tudo a Jesus pelas mãos de Maria, no escondimento.

📿 Rezemos o Rosário com o coração recolhido, sem pressa, oferecendo cada Ave-Maria como uma flor silenciosa à nossa Rainha. E que cada ato de caridade seja uma luz escondida, vista apenas por Deus, que sonda os corações.

Nosso caminho está apenas começando. Amanhã, seguimos firmes rumo à luz que é Jesus Cristo, pela via segura que é Maria Santíssima.


A Samaritana no Poço representa o encontro de Jesus com a mulher samaritana junto ao poço de Jacó (Jo 4, 1–42). A cena simboliza o diálogo entre a graça divina e a busca humana: Cristo, em atitude serena e didática, oferece a “água viva”, sinal da vida eterna, enquanto a mulher, com o cântaro, representa a sede espiritual do coração humano. O cenário paisagístico amplo e ordenado reforça a dimensão universal da mensagem: a salvação não se limita a um povo, mas é oferecida a todos. A obra une narrativa bíblica, simbolismo sacramental e harmonia típica da pintura renascentista.Fonte Autor desconhecido (escola renascentista), Cristo e a Mulher Samaritana no Poço, século XVI, têmpera e/ou óleo sobre madeira. Coleção museológica europeia.

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