Dia 19 de 33 – Renovar os votos do nosso Batismo

Ao acordar, antes de olhar o celular ou se distrair com as ocupações do dia, feche os olhos, respire fundo e reconheça: você foi criado para amar e ser santo. Peçamos juntos, com fé, a presença daquele que nos ensina todas as coisas:

Hoje, o Tratado nos convida a voltar à fonte da nossa vida cristã: o santo Batismo. São Gregório de Nazianzo nos exorta: “O Batismo é o mais belo e o mais maravilhoso dos dons de Deus... Chamamo-lo dom, graça, unção, iluminação, veste de incorruptibilidade, banho de regeneração, selo e tudo o que há de mais precioso”. Por meio dele, fomos libertos do pecado, tornamo-nos filhos de Deus e fomos selados com um chamado: a santidade.

O Catecismo da Igreja Católica confirma: “O Batismo é o fundamento de toda a vida cristã, o pórtico da vida no Espírito” (CIC 1213). Mas o mesmo Catecismo também nos adverte que, apesar de sermos justificados, carregamos ainda dentro de nós as consequências do pecado (cf. CIC 1264) — e por isso precisamos renovar, com verdade, os compromissos que assumimos diante de Deus.

Quantos de nós fomos batizados ainda pequenos, e hoje vivemos alheios a essas promessas?

Quantas vezes renegamos o amor de Deus, escolhendo as pompas do mundo? Santo Agostinho dizia que “no Batismo se apaga o pecado, mas não o combate”. E é justamente esse combate que agora assumimos conscientemente: combater o espírito do mundo, reconhecer nossos pecados e reafirmar com liberdade: pertencemos a Jesus Cristo!

Ao consagrar-se a Jesus por Maria, nós dizemos com coragem: “Renuncio ao demônio, às suas pompas e às suas obras” – não só com os lábios, mas com o coração, com a vida e com todas as nossas forças.

👉 Hoje, meditemos com seriedade: tenho vivido de acordo com a minha identidade batismal? Tenho combatido o pecado como um consagrado? Ou tenho me esquecido de que já fui marcado para o céu?

Com fé, sigamos em frente. Estamos quase na metade da preparação. Perseverança! 

Agora, com reverência e fé, iniciemos nossas orações:
📿 Ave Maris StellaVinde, Espírito Criador e a Ladainha do Espírito Santo

🙏 Antes de iniciar a leitura espiritual, pare por um instante e faça as orações com atenção e amor, pedindo com sinceridade à luz do Espírito Santo e ao auxílio da Santíssima Virgem.

📌 Sem oração, não há fruto. Sem humildade, não há transformação.

Ave Estrela do Mar (Ave Maris Stella)

Ave, do mar Estrela,
bendita Mãe de Deus,
fecunda e sempre Virgem,
portal feliz dos céus.

Ouvindo aquele Ave
do anjo Gabriel,
mudando de Eva o nome,
trazei-nos paz do céu.

Ao cego iluminai,
ao réu livrai também;
de todo mal guardai-nos
e dai-nos todo o bem.

Mostrai ser nossa Mãe,
levando a nossa voz
a Quem, por nós nascido,
dignou-se vir de vós.

Suave mais que todas,
ó Virgem sem igual,
fazei-nos mansos, puros,
guardai-nos contra o mal.

Oh! dai-nos vida pura,
guiai-nos para a luz,
e um dia, ao vosso lado,
possamos ver Jesus.

Louvor a Deus, o Pai,
e ao Filho, Sumo Bem,
com seu Divino Espírito
agora e sempre. Amém.


Vinde, Espírito Criador (Veni Creator Spiritus)


Ó, vinde, Espírito Criador,
as nossas almas visitai
e enchei os nossos corações
com vossos dons celestiais.

 Vós sois chamado o Intercessor
do Deus excelso o dom sem par,
a fonte viva, o fogo, o amor,
a unção divina e salutar.

Sois doador dos sete dons
e sois poder na mão do Pai,
por Ele prometido a nós,
por nós seus feitos proclamai.

A nossa mente iluminai,
os corações enchei de amor,
nossa fraqueza encorajai,
qual força eterna e protetor.

Nosso inimigo repeli,
e concedei-nos vossa paz;
se pela graça nos guiais,
o mal deixamos para trás.

Ao Pai e ao Filho Salvador
por vós possamos conhecer
que procedeis do seu amor
fazei-nos sempre firmes crer.
Amém  

Ladainha do Espírito Santo

Senhor, tende piedade de nós.
Jesus Cristo, tende piedade de nós.
Senhor, tende piedade de nós.

Divino Espírito Santo, ouvi-nos.
Espírito Paráclito, atendei-nos.

Deus Pai dos céus, tende piedade de nós.
Deus Filho, Redentor do mundo, tende piedade de nós.
Deus Espírito Santo, tende piedade de nós.
Santíssima Trindade, que sois um só Deus, tende piedade de nós.

Espírito da verdade, tende piedade de nós.
Espírito da sabedoria, tende piedade de nós.
Espírito da inteligência, tende piedade de nós.
Espírito da fortaleza, tende piedade de nós.
Espírito da piedade, tende piedade de nós.
Espírito do bom conselho, tende piedade de nós.
Espírito da ciência, tende piedade de nós.
Espírito do santo temor, tende piedade de nós.
Espírito da caridade, tende piedade de nós.
Espírito da alegria, tende piedade de nós.
Espírito da paz, tende piedade de nós.
Espírito das virtudes, tende piedade de nós.
Espírito de toda graça, tende piedade de nós.
Espírito da adoção dos filhos de Deus, tende piedade de nós.
Purificador das nossas almas, tende piedade de nós.
Santificador e guia da Igreja Católica, tende piedade de nós.
Distribuidor dos dons celestes, tende piedade de nós.
Conhecedor dos pensamentos e das intenções do coração, tende piedade de nós.
Doçura dos que começam a vos servir, tende piedade de nós.
Coroa dos perfeitos, tende piedade de nós.
Alegria dos anjos, tende piedade de nós.
Luz dos patriarcas, tende piedade de nós.
Inspiração dos profetas, tende piedade de nós.
Palavra e sabedoria dos apóstolos, tende piedade de nós.
Vitória dos mártires, tende piedade de nós.
Ciência dos confessores, tende piedade de nós.
Pureza das virgens, tende piedade de nós.
Unção de todos os santos, tende piedade de nós.

Sede-nos propício, perdoai-nos, Senhor.
Sede-nos propício, atendei-nos, Senhor.

De todo o pecado, livrai-nos, Senhor.
De todas as tentações e ciladas do demônio, livrai-nos, Senhor.
De toda a presunção e desesperação, livrai-nos, Senhor.
Do ataque à verdade conhecida, livrai-nos, Senhor.
Da inveja da graça fraterna, livrai-nos, Senhor.
De toda a obstinação e impenitência, livrai-nos, Senhor.
De toda a negligência e tepor do espírito, livrai-nos, Senhor.
De toda a impureza da mente e do corpo, livrai-nos, Senhor.
De todas as heresias e erros, livrai-nos, Senhor.
De todo o mau espírito, livrai-nos, Senhor.
Da morte má e eterna, livrai-nos, Senhor.

Pela vossa eterna procedência do Pai e do Filho, livrai-nos, Senhor.
Pela milagrosa conceição do Filho de Deus, livrai-nos, Senhor.
Pela vossa descida sobre Jesus Cristo batizado, livrai-nos, Senhor.
Pela vossa santa aparição na transfiguração do Senhor, livrai-nos, Senhor.
Pela vossa vinda sobre os discípulos do Senhor, livrai-nos, Senhor.
No dia do juízo, livrai-nos, Senhor.

Ainda que pecadores, nós vos rogamos, ouvi-nos.
Para que nos perdoeis, nós vos rogamos, ouvi-nos.
Para que vos digneis vivificar e santificar todos os membros da Igreja, nós vos rogamos, ouvi-nos.
Para que vos digneis conceder-nos o dom da verdadeira piedade, devoção e oração, nós vos rogamos, ouvi-nos.
Para que vos digneis inspirar-nos sinceros afetos de misericórdia e de caridade, nós vos rogamos, ouvi-nos.
Para que vos digneis criar em nós um espírito novo e um coração puro, nós vos rogamos, ouvi-nos.
Para que vos digneis conceder-nos verdadeira paz e tranquilidade no coração, nós vos rogamos, ouvi-nos.
Para que vos digneis fazer-nos dignos e fortes, para suportar as perseguições pela justiça, nós vos rogamos, ouvi-nos.
Para que vos digneis confirmar-nos em vossa graça, nós vos rogamos, ouvi-nos.
Para que vos digneis receber-nos no número dos vossos eleitos, nós vos rogamos, ouvi-nos.
Para que vos digneis ouvir-nos, nós vos rogamos, ouvi-nos.
Espírito de Deus, nós vos rogamos, ouvi-nos.

Cordeiro de Deus que tirais os pecados do mundo, enviai-nos o Espírito Santo.
Cordeiro de Deus que tirais os pecados do mundo, mandai-nos o Espírito prometido do Pai.
Cordeiro de Deus que tirais os pecados do mundo, dai-nos o Espírito bom.

Espírito Santo, ouvi-nos.
Espírito Consolador, atendei-nos.

V. Enviai, Senhor, o vosso Espírito, e tudo será criado,
R. E renovareis a face da terra.

Oremos: Deus, que instruístes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas segundo o mesmo Espírito e gozemos sempre da sua consolação. Por Cristo, nosso SenhorAmém.

Dia 19 – Leitura do Tratado: Parágrafos 126 a 130

 ARTIGO II Uma perfeita renovação dos votos do batismo
 126. Disse acima (cf. n. 120) que a esta devoção podia-se chamar muito bem uma perfeita renovação dos votos ou promessas do santo batismo.

Todo cristão, antes do batismo, era escravo do demônio, pois lhe pertencia. Na ocasião do batismo o cristão, por sua própria boca ou pela de seu padrinho e de sua madrinha, renunciou a Satanás, a suas pompas e obras, e tomou Jesus Cristo para seu Mestre e soberano Senhor, passando a depender dele, na qualidade de escravo por amor. É o que se faz pela presente devoção: renuncia-se (como está indicado na fórmula de consagração) ao demônio, ao mundo, ao pecado e a si próprio, dando-se inteiramente a Jesus Cristo pelas mãos de Maria. Faz-se até algo mais, pois se, no batismo, falamos ordinariamente pela boca de outrem, pela boca do padrinho ou da madrinha, dando-nos a Jesus Cristo por procuração, nesta devoção fázemo-lo nós mesmos, voluntariamente, com conhecimento de causa.

No batismo não é pelas mãos de Maria que nos damos a Jesus Cristo, pelo menos de uma maneira expressa, nem fazemos doação a ele do valor de nossas boas ações; depois do batismo, ficamos inteiramente livres de aplicar esse valor a quem quisermos ou de conservá-lo para nós. Por essa devoção, damo-nos, porém, a Nosso Senhor pelas mãos de Maria, e lhe consagramos o valor de todas as nossas ações.

127. No santo batismo, diz Santo Tomás, os homens fazem o voto de renunciar ao demônio e às suas pompas: “In baptismo vovent homines abrenuntiare diabolo et pompis eius”. E este voto, afirma Santo Agostinho, é o maior e o mais indispensável. “Votum maximum nostrum quo voivimus nos Christo esse mansuros”. É também o que dizem os canonistas: “Praecipuum votum est quod in baptismoate facimus” – o voto principal é o que fazemos no batismo. Quem, entretanto, guarda tão grande voto? Quem é que mantém fielmente as promessas do santo batismo? Não é um fato que quase todos os cristãos falseiam à fidelidade que no batismo prometeram a Jesus Cristo? Donde poderá vir esse desregramento universal, senão do esquecimento em que se vive das promessas e compromissos do santo batismo, e por que cada um não ratifica espontaneamente o contrato de aliança feito com Deus por seu padrinho e sua madrinha?

128. É tão verdade isto, que o Concílio de Sens, convocado por ordem de Luís o Bonachão para pôr cobro às grandes desordens dos cristãos, declarou que a causa principal da corrupção então reinante vinha do esquecimento e ignorância em que se vivia dos compromissos tomados no santo batismo; e não encontrou melhor remédio para tão grande mal do que induzir os cristãos a renovar as promessas do santo batismo.

129. O Catecismo do Concílio de Trento, fiel intérprete deste santo Concílio, exorta os curas a fazer o mesmo, e a relembrar aos fiéis que estão ligados e consagrados a Nosso Senhor Jesus Cristo, como escravos a seu Redentor e Senhor. Eis as palavras textuais: “Parochus fidelem populum ad eam rationem cohortabitur ut sciat aequissimum esse... nos ipsos, non secus ac mancipia Redemptori nostro et Domino in perpetuum addicere et consecrare”.

130. Ora, se os Concílios, os Santos Padres e a própria experiência nos mostram que o melhor meio de remediar os desregramentos dos cristãos é fazê-los relembrar as obrigações assumidas no batismo e renovar os votos que então fizeram, não é natural que se faça isto presentemente, de um modo perfeito, por esta devoção e consagração a Nosso Senhor, por intermédio de sua Mãe Santíssima? Digo “de um modo perfeito” porque nos servimos, nesta consagração a Jesus Cristo, do mais perfeito de todos os meios, que é a Santíssima Virgem.


📖 Conclusão – Chamados à Santidade pelo Batismo

Ao final da nossa meditação de hoje, fica um convite profundo e irrecusável: lembrar quem somos.

Pelo Batismo, fomos regenerados, marcados com o selo indelével da graça, incorporados a Cristo, mortos para o pecado e vivos para Deus. Não somos órfãos no mundo — somos filhos da promessa, consagrados desde o ventre da Igreja.

Mas se é verdade que fomos selados para o céu, também é verdade que nossa vida precisa expressar essa pertença. A santidade não é um extra, é nossa identidade. O próprio Jesus nos diz: “Sede santos, porque Eu sou santo” (1Pd 1,16).

Nosso caminho de consagração é, portanto, um retorno consciente às promessas do Batismo. E para isso, a Igreja nos oferece um modelo altíssimo: os conselhos evangélicos de obediência, pobreza e castidade. Eles não são apenas votos religiosos — são estados de espírito que todo cristão pode viver, segundo sua vocação:

  • Obediência: não fazer a própria vontade, mas buscar a vontade de Deus em todas as coisas.

  • Pobreza: desapegar-se do mundo, colocar o coração nas coisas do Alto.

  • Castidade: viver a pureza interior, guardando o corpo e o coração como templo do Espírito Santo.

Esses conselhos são como colunas que sustentam a casa da nossa alma. Quando assumimos livremente esses caminhos, respondemos com coragem ao chamado batismal e nos unimos a Cristo, que viveu tudo isso perfeitamente por amor a nós.

👉 Renovar os votos do nosso Batismo é declarar guerra ao pecado, ao espírito do mundo, ao egoísmo. É dizer com Maria: “Eis aqui o servo do Senhor.”

Terminemos o dia com o coração voltado para essa verdade: somos de Cristo. Nascemos de novo para viver no Espírito. E a nossa meta é o céu.

Sigamos com alegria, pois a Santíssima Virgem nos guia. E quem é guiado por Maria, nunca se perde.

O Batismo de Cristo retrata o momento em que Jesus é batizado por São João Batista no rio Jordão, inaugurando publicamente Sua missão. Cristo aparece em atitude humilde e recolhida, enquanto João derrama a água batismal sobre Sua cabeça. No alto, a pomba do Espírito Santo desce do céu, sinalizando a manifestação trinitária e a confirmação divina: o Filho amado do Pai. A composição transmite serenidade, obediência e graça, ressaltando o batismo como início da vida nova e da redenção. Fonte Bartolomé Esteban Murillo, O Batismo de Cristo, c. 1655–1660, óleo sobre tela. Museu do Prado, Madri.


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