Dia 16 de 33 – A verdadeira devoção é interior, santa e perseverante


Ao despertarmos para mais um dia de preparação, antes de qualquer pensamento, elevemos a alma a Deus e invoquemos o Espírito Santo, pedindo luz e coragem para conhecermos a verdade sobre nós mesmos e nos entregarmos totalmente à vontade divina.

Neste dia, somos chamados a olhar para o mais profundo do nosso coração e examinar se a nossa devoção é autêntica. A verdadeira devoção, como ensina São Luís Maria Grignion de Montfort, é interior, terna, santa, constante e desinteressada. Ou seja, não se trata apenas de rezar com os lábios ou praticar devoções exteriores, mas de um movimento da alma que ama a Deus com sinceridade, humildade e perseverança, mesmo sem consolações.

Santa Teresinha do Menino Jesus, com sua pureza e simplicidade, nos deixou um ensinamento precioso: “O que importa não é o que os outros pensam de mim, mas o que Deus pensa de mim.” Quantas vezes, dominados pela vaidade, deixamos de buscar os sacramentos – especialmente a confissão – por medo de sermos julgados? Evitamos o confessionário porque pensamos: “O que vão pensar de mim se me virem lá de novo?”... e assim, afastamo-nos da fonte da graça por orgulho disfarçado.

Por isso, é urgente pedir auxílio à Santíssima Virgem. Ela nos conduz ao interior, nos ensina a desapegar da aparência e da opinião dos outros, e nos fortalece para abandonarmo-nos com confiança à misericórdia divina.

👉 Hoje, peçamos essa graça: a graça de sermos verdadeiramente interiores. Que a nossa devoção não seja movida por sensações, aparências ou interesses, mas por um amor real, constante e fiel à Mãe de Deus e, por Ela, ao seu Filho Jesus Cristo. Com coragem e humildade, iniciemos nossa oração: 

Agora, com reverência e fé, iniciemos nossas orações:
📿 Ave Maris StellaVinde, Espírito Criador e a Ladainha do Espírito Santo

🙏 Antes de iniciar a leitura espiritual, pare por um instante e faça as orações com atenção e amor, pedindo com sinceridade à luz do Espírito Santo e ao auxílio da Santíssima Virgem.

📌 Sem oração, não há fruto. Sem humildade, não há transformação.

Ave Estrela do Mar (Ave Maris Stella)

Ave, do mar Estrela,
bendita Mãe de Deus,
fecunda e sempre Virgem,
portal feliz dos céus.

Ouvindo aquele Ave
do anjo Gabriel,
mudando de Eva o nome,
trazei-nos paz do céu.

Ao cego iluminai,
ao réu livrai também;
de todo mal guardai-nos
e dai-nos todo o bem.

Mostrai ser nossa Mãe,
levando a nossa voz
a Quem, por nós nascido,
dignou-se vir de vós.

Suave mais que todas,
ó Virgem sem igual,
fazei-nos mansos, puros,
guardai-nos contra o mal.

Oh! dai-nos vida pura,
guiai-nos para a luz,
e um dia, ao vosso lado,
possamos ver Jesus.

Louvor a Deus, o Pai,
e ao Filho, Sumo Bem,
com seu Divino Espírito
agora e sempre. Amém.


Vinde, Espírito Criador (Veni Creator Spiritus)


Ó, vinde, Espírito Criador,
as nossas almas visitai
e enchei os nossos corações
com vossos dons celestiais.

 Vós sois chamado o Intercessor
do Deus excelso o dom sem par,
a fonte viva, o fogo, o amor,
a unção divina e salutar.

Sois doador dos sete dons
e sois poder na mão do Pai,
por Ele prometido a nós,
por nós seus feitos proclamai.

A nossa mente iluminai,
os corações enchei de amor,
nossa fraqueza encorajai,
qual força eterna e protetor.

Nosso inimigo repeli,
e concedei-nos vossa paz;
se pela graça nos guiais,
o mal deixamos para trás.

Ao Pai e ao Filho Salvador
por vós possamos conhecer
que procedeis do seu amor
fazei-nos sempre firmes crer.
Amém  

Ladainha do Espírito Santo

Senhor, tende piedade de nós.
Jesus Cristo, tende piedade de nós.
Senhor, tende piedade de nós.

Divino Espírito Santo, ouvi-nos.
Espírito Paráclito, atendei-nos.

Deus Pai dos céus, tende piedade de nós.
Deus Filho, Redentor do mundo, tende piedade de nós.
Deus Espírito Santo, tende piedade de nós.
Santíssima Trindade, que sois um só Deus, tende piedade de nós.

Espírito da verdade, tende piedade de nós.
Espírito da sabedoria, tende piedade de nós.
Espírito da inteligência, tende piedade de nós.
Espírito da fortaleza, tende piedade de nós.
Espírito da piedade, tende piedade de nós.
Espírito do bom conselho, tende piedade de nós.
Espírito da ciência, tende piedade de nós.
Espírito do santo temor, tende piedade de nós.
Espírito da caridade, tende piedade de nós.
Espírito da alegria, tende piedade de nós.
Espírito da paz, tende piedade de nós.
Espírito das virtudes, tende piedade de nós.
Espírito de toda graça, tende piedade de nós.
Espírito da adoção dos filhos de Deus, tende piedade de nós.
Purificador das nossas almas, tende piedade de nós.
Santificador e guia da Igreja Católica, tende piedade de nós.
Distribuidor dos dons celestes, tende piedade de nós.
Conhecedor dos pensamentos e das intenções do coração, tende piedade de nós.
Doçura dos que começam a vos servir, tende piedade de nós.
Coroa dos perfeitos, tende piedade de nós.
Alegria dos anjos, tende piedade de nós.
Luz dos patriarcas, tende piedade de nós.
Inspiração dos profetas, tende piedade de nós.
Palavra e sabedoria dos apóstolos, tende piedade de nós.
Vitória dos mártires, tende piedade de nós.
Ciência dos confessores, tende piedade de nós.
Pureza das virgens, tende piedade de nós.
Unção de todos os santos, tende piedade de nós.

Sede-nos propício, perdoai-nos, Senhor.
Sede-nos propício, atendei-nos, Senhor.

De todo o pecado, livrai-nos, Senhor.
De todas as tentações e ciladas do demônio, livrai-nos, Senhor.
De toda a presunção e desesperação, livrai-nos, Senhor.
Do ataque à verdade conhecida, livrai-nos, Senhor.
Da inveja da graça fraterna, livrai-nos, Senhor.
De toda a obstinação e impenitência, livrai-nos, Senhor.
De toda a negligência e tepor do espírito, livrai-nos, Senhor.
De toda a impureza da mente e do corpo, livrai-nos, Senhor.
De todas as heresias e erros, livrai-nos, Senhor.
De todo o mau espírito, livrai-nos, Senhor.
Da morte má e eterna, livrai-nos, Senhor.

Pela vossa eterna procedência do Pai e do Filho, livrai-nos, Senhor.
Pela milagrosa conceição do Filho de Deus, livrai-nos, Senhor.
Pela vossa descida sobre Jesus Cristo batizado, livrai-nos, Senhor.
Pela vossa santa aparição na transfiguração do Senhor, livrai-nos, Senhor.
Pela vossa vinda sobre os discípulos do Senhor, livrai-nos, Senhor.
No dia do juízo, livrai-nos, Senhor.

Ainda que pecadores, nós vos rogamos, ouvi-nos.
Para que nos perdoeis, nós vos rogamos, ouvi-nos.
Para que vos digneis vivificar e santificar todos os membros da Igreja, nós vos rogamos, ouvi-nos.
Para que vos digneis conceder-nos o dom da verdadeira piedade, devoção e oração, nós vos rogamos, ouvi-nos.
Para que vos digneis inspirar-nos sinceros afetos de misericórdia e de caridade, nós vos rogamos, ouvi-nos.
Para que vos digneis criar em nós um espírito novo e um coração puro, nós vos rogamos, ouvi-nos.
Para que vos digneis conceder-nos verdadeira paz e tranquilidade no coração, nós vos rogamos, ouvi-nos.
Para que vos digneis fazer-nos dignos e fortes, para suportar as perseguições pela justiça, nós vos rogamos, ouvi-nos.
Para que vos digneis confirmar-nos em vossa graça, nós vos rogamos, ouvi-nos.
Para que vos digneis receber-nos no número dos vossos eleitos, nós vos rogamos, ouvi-nos.
Para que vos digneis ouvir-nos, nós vos rogamos, ouvi-nos.
Espírito de Deus, nós vos rogamos, ouvi-nos.

Cordeiro de Deus que tirais os pecados do mundo, enviai-nos o Espírito Santo.
Cordeiro de Deus que tirais os pecados do mundo, mandai-nos o Espírito prometido do Pai.
Cordeiro de Deus que tirais os pecados do mundo, dai-nos o Espírito bom.

Espírito Santo, ouvi-nos.
Espírito Consolador, atendei-nos.

V. Enviai, Senhor, o vosso Espírito, e tudo será criado,
R. E renovareis a face da terra.

Oremos: Deus, que instruístes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas segundo o mesmo Espírito e gozemos sempre da sua consolação. Por Cristo, nosso SenhorAmém.

Dia 16 – Leitura do Tratado: Parágrafos 105 a 114

§ II. A verdadeira devoção à Santíssima Virgem

105. Depois de descobrir e condenar as falsas devoções à Santíssima Virgem, cumpre estabelecer em poucas palavras a devoção verdadeira, que é: 1º) interior, 2º) terna, 3º) santa, 4º) constante, 5º) desinteressada.

1º) A verdadeira devoção é interior

106. Antes de tudo, a verdadeira devoção à Santíssima Virgem é interior, isto é, parte do espírito e do coração. Vem da estima em que se tem a Santíssima Virgem, da alta ideia que se formou de suas grandezas, e do amor que se lhe consagra.

2º) A verdadeira devoção é terna

107. Em segundo lugar é terna, quer dizer cheia de confiança na Santíssima Virgem, da confiança de um filho em sua mãe. Impele uma alma a recorrer a ela em todas as necessidades do corpo e do espírito, com extremos de simplicidade, de confiança e de ternura; ela implora o auxílio de sua boa Mãe em todo tempo, em todo lugar, em todas as coisas: em suas dúvidas, para ser esclarecida; em seus erros, para se corrigir; nas tentações, para ser sustentada; em suas fraquezas, para ser fortificada; em suas quedas, para ser levantada; em seus abatimentos, para ser encorajada; em seus escrúpulos, para ficar livre deles; em suas cruzes, trabalhos e reveses da vida, para ser consolada. Em todos os males do corpo e do espírito, enfim, Maria é seu refúgio, e não há receio de importunar esta boa Mãe e desagradar a Jesus Cristo.

3º) A verdadeira devoção é santa

108. Terceiro, a verdadeira devoção à Santíssima Virgem é santa: leva uma alma a evitar o pecado e a imitar as virtudes da Santíssima Virgem, principalmente sua humildade profunda, sua contínua oração, sua obediência cega, sua fé viva, sua mortificação universal, sua pureza divina, sua caridade ardente, sua paciência heroica, sua doçura angélica e sua sabedoria divina. Aí estão as dez virtudes principais da Santíssima Virgem.

4º) A verdadeira devoção é constante

109. Quarto, a verdadeira devoção à Santíssima Virgem é constante, firma uma alma no bem, e ajuda-a a perseverar em suas práticas de devoção. Torna-a corajosa para se opor ao mundo em suas modas e máximas, à carne, em seus aborrecimentos e paixões, e ao demônio, em suas tentações. Assim, uma pessoa verdadeiramente devota da Santíssima Virgem não é volúvel, nem se deixa dominar pela melancolia, pelos escrúpulos ou pelos receios. Não quer isto dizer que não caia ou mude, às vezes, na sensibilidade de sua devoção; mas, se cai, levanta-se logo, estende a mão à sua boa Mãe, e, se perde o gosto ou a devoção sensível, não se aflige irremediavelmente, pois o justo e devoto fiel de Maria vive da fé de Jesus e de Maria, e não nos sentimentos naturais.

5º) A verdadeira devoção é desinteressada

110. A verdadeira devoção à Virgem Santíssima é, finalmente, desinteressada, leva a alma a buscar não a si mesma, mas somente a Deus em sua Mãe Santíssima. O verdadeiro devoto de Maria não serve a esta augusta Rainha por espírito de lucro e de interesse, nem para seu bem temporal ou eterno, corporal ou espiritual, mas unicamente porque ela merece ser servida, e Deus exclusivamente nela; o verdadeiro devoto não ama a Maria precisamente porque ela lhe faz ou ele espera dela algum bem, mas porque ela é amável. Só por isto ele a ama e serve nos desgostos e na aridez, como nas doçuras e no fervor sensível, sempre com a mesma fidelidade; ama-a nas amarguras do Calvário como nas alegrias de Caná. Oh! como é agradável e precioso aos olhos de Deus e de sua Mãe Santíssima, esse devoto, que em nada se busca nos serviços que presta à sua Rainha. Mas, também, quão raro é encontrá-lo agora. E é com o fito de que cresça o número desses fiéis devotos, que empunhei a pena para escrever o que tenho, com fruto, ensinado em público e em particular nas minhas missões, durante anos e anos.

111. Muitas coisas já disse sobre a Santíssima Virgem. Mais ainda tenho, entretanto, a dizer, e infinitamente mais omitirei, seja por ignorância, incapacidade ou falta de tempo, no desígnio que tenho de formar um verdadeiro devoto de Maria e um verdadeiro discípulo de Jesus Cristo.

112. Oh! bem empregado seria o meu esforço, se este escrito, caindo nas mãos duma alma bem-nascida, nascida de Deus e de Maria, e não do sangue, ou da vontade da carne, nem da vontade do homem (cf. Jo 1,13), lhe desvendasse e inspirasse, pela graça do Espírito Santo, a excelência e o prêmio da verdadeira e sólida devoção à Santíssima Virgem, como vou indicar. Se eu soubesse que meu sangue pecaminoso poderia servir para fazer entrar no coração as verdades que escrevo em honra de minha querida Mãe e soberana Senhora, da qual sou o último dos filhos e escravos, em lugar de tinta eu o usaria para formar esses caracteres, na esperança que me anima de encontrar boas almas que, por sua fidelidade à prática que ensino, compensarão minha boa Mãe e Senhora das perdas que lhe têm causado minha ingratidão e infidelidade.

113. Sinto-me, mais do que nunca, animado a crer e esperar em tudo que tenho profundamente gravado no coração, e que há muitos anos peço a Deus: que mais cedo ou mais tarde a Santíssima Virgem terá mais filhos, servidores e escravos, como nunca houve, e que, por este meio, Jesus Cristo, meu amado Mestre, reinará totalmente em todos os corações.

114. Vejo, no futuro, animais frementes, que se precipitam furiosos para despedaçar com seus dentes diabólicos este pequeno manuscrito e aquele de quem o Espírito Santo se serviu para escrevê-lo, ou ao menos para fazê-lo ficar envolto nas trevas e no silêncio de uma arca, a fim de que ele não apareça. Atacá-lo-ão, e perseguirão aqueles e aquelas que o lerem e o puserem em prática. Mas não importa! tanto melhor! Esta visão me encoraja e me dá a esperança de um grande sucesso, isto é, um esquadrão de bravos e destemidos soldados de Jesus e de Maria, de ambos os sexos, para combater o mundo, o demônio e a natureza corrompida, nos tempos perigosos que virão, e como ainda não houve.

"Que legit, intelligat. Qui potest capere, capiat" (Mt 24,15; 19,12).


📖 Conclusão – A alegria da alma que encontra amizade com Deus

Ao final deste dia de meditação, nosso coração se enche de esperança: é possível viver uma amizade verdadeira com Deus!

Todos os santos, em sua diversidade de temperamentos, histórias e vocações, tiveram em comum um mesmo segredo: o desejo sincero de agradar a Deus, de viver com Ele e por Ele. Santa Teresa d’Ávila dizia que “a oração é um trato de amizade com Aquele que sabemos que nos ama.” E essa amizade começa no silêncio, na vida interior, onde o coração aprende a escutar e amar.

São Gregório Magno nos recorda que “quanto mais a alma se aproxima de Deus, mais se reconhece pequena.” Mas é nesse reconhecimento, humilde e confiante, que Deus se inclina e faz morada. São Francisco de Assis, São João da Cruz, Santa Teresinha... todos descobriram essa alegria que supera qualquer prazer do mundo: a alegria de pertencer a Deus, de viver sob o olhar d’Ele, com a alma pura e entregue.

Se queremos essa amizade, precisamos cultivá-la na oração, na confissão frequente, na obediência à vontade divina. E quem melhor do que a Santíssima Virgem para nos ensinar esse caminho? Ela é a Mãe que conduz ao Amigo fiel. Ela nos forma, nos molda e nos sustenta nesse caminho de união com seu Filho Jesus.

Hoje, ao encerrarmos, renovemos nosso propósito: quero conhecer a mim mesmo para conhecer e amar a Deus com todo o coração! E que essa amizade, uma vez iniciada, nunca mais seja rompida.

Sigamos com coragem e fidelidade. Que Maria nos conduza a essa alegria que o mundo não pode dar.

Madalena com a Chama Fumegante apresenta Maria Madalena em profunda contemplação e penitência. Sentada em silêncio, iluminada apenas pela luz de uma vela, ela apoia a cabeça sobre a mão em gesto de recolhimento interior. O crânio sobre o colo simboliza a fugacidade da vida e a conversão do coração, enquanto a chama instável representa o tempo que passa e a vigilância espiritual. A atmosfera silenciosa, o uso intenso do claro-escuro e a luz concentrada reforçam o tema da meditação, arrependimento e busca de Deus, características centrais da espiritualidade barroca.Fonte Georges de La Tour, Madalena com a Chama Fumegante, c. 1640, óleo sobre tela, 128 × 94 cm. Museu do Louvre, Paris.


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